LIVE Waterfront Bar & Club by Celso Morel
07.01.2019

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Não sei exatamente quando e onde começou a minha fascinação por restauração, mas creio que sempre tive em mim um certo entusiasmo por receber pessoas em minha casa, e criar cenários. Fascina-me o facto de poder proporcionar experiências únicas aos meus convidados, criando harmonia entre um conjunto de fatores como música, comida, decoração…etc. Acredito que seja também por isso que arquitetura surgiu nas minhas opções académicas como uma escolha tão certa, tão orgânica. Lembro me ainda criança de ler num dos muitos livros que recebia no Natal que “os arquitetos desenham os cenários onde vivemos”, e esta foi uma frase que permaneceu comigo ao longo da minha juventude até a fase adulta, quando finalmente chegou a hora de decidir qual seria o meu ganha pão. Entretanto, esta sensação de perfeita harmonia sensorial num ambiente em que a visão, o olfato, o tato, o paladar e a audição se unem numa sinfonia divina, senti pela primeira vez em Ibiza num restaurante chamado Experimental. Lembro me como se fosse hoje do pôr do sol, da música (Nobody Else – Full X Mar), do frescor da comida, da vibe tão cool das pessoas que como eu se divertiam ali… era um cenário idílico, despretensioso e absolutamente descontraído. Eu acredito piamente na memória das sensações, ou seja, não do momento em si, mas a forma que nos fez sentir, as emoções que desperta em nós. Estas vivências têm uma influência muito grande sobre a minha arte, sobre a minha capacidade de criação. Então em 2017 quando surgiu a oportunidade de criar um espaço eu não sabia exatamente o que queria, mas tinhas a certeza que era essencial que causasse aos clientes exatamente a mesma sensação que o Experimental me casou a mim. Não propriamente imitando o conceito, mas idealizando um universo único que conversasse com o Luandense que gravita diariamente entre a selva urbana que é a nossa cidade, e o mar.

Sempre que iniciamos um projeto temos uma ideia vaga daquilo que queremos, similar a algo que já vimos e gostamos. Porém com o tempo as ideias vão se aperfeiçoando e também se deteriorando: muitas coisas não são possíveis e consequentemente temos de mudar de direção. Mas é aí que habita a beleza da criação. Os projetos começam a ganhar forma e a ter uma identidade própria e única que é composta tanto das limitações como das oportunidades. Então mesmo que haja uma base de inspiração, acaba sempre por evoluir para novos caminhos e ser diferente de tudo que já existe. Quando fui ver o espaço na marginal surgiram inúmeras ideias, de lugares que já tinha estado e que me tinham agradado, o local é e era perfeito, tinha o privilégio de estar a menos de 100 metros do mar, com uma traseira que é um dos cartões postais mais bonitos de Luanda.  O facto de ter um espaço já existente foi uma mais valia, porque é mais fácil criar algo a volta de uma ideia concreta do que ter o trabalho de criar o espaço e depois lançar o recheio e alma do lugar.

Para mim, bom interprete é aquele que entende o que o espaço lhe transmite e não aquele que descaracteriza o local no intuito de impingir algo fora do contexto. Devo confessar que o Pinterest é o melhor amigo de todos os criativos, é sempre bom para retirar ideias e depois montar um todo, não foi um processo moroso porque eu tinha muito bem definido o que eu queria do Lïve, então quando eu via as coisas sentia uma empatia instantânea com o meu conceito, quase como um amor a primeira vista, tinha o conceito tão presente no meu ser que bastava ver uma referência e vinham me mil ideias, mas com o tempo juntando uma peça e outra o conceito começou a ganhar forma e identidade própria. Foram muitas noites em claro a tentar encontrar a perfeição e uma linguagem clara que transmitisse exatamente o que eu que queria. Desde a música a decoração, passando pelo serviço e comida, tudo tinha de transmitir uma certa leveza, descontração e sofisticação.

 O menu que concebemos é muito virado para esse conceito de vida, como o prórpio nome diz, que é sobretudo viver intensamente o melhor que a vida tem para oferecer. O core do Lïve convida a  desfrutar de uma degustação enquanto se convive, e por isso, apesar de termos também pratos principais com porções mais generosas, estabelecemos o menu a volta das nossas tapas, que com as porções mais reduzidas permitem experimentar um bocadinho de tudo e promover a partilha entre amigos. Não é um menu para enfardar, mas sim para satisfazer e saborear daqueles pratos que sabem a pouco mas que se complementam. Acho que reflete muito aquilo que gosto num restaurante, o provar sem ficar condicionado a um só prato cheio sem poder experimentar outras opções que me tenham chamado atenção na carta. Não acredito também em bares sem comida, e sendo um restaurante em que a cozinha nunca fecha, essas refeições ligeiras são essenciais porque às vezes só queremos degustar sem que seja um prato principal, mas que também não seja só um canapé. Na verdade sou um pouco suspeito para falar acerca da nossa carta, porque tudo que consta foi sugerido por mim. Contudo, tenho sim os meus preferidos. A cevichada por exemplo, ou o guacamole com camarão em tempura, o tataki de atum, o hotdog de lagosta e o Lïve burger são sem dúvida os meus preferidos. O bife Lïve também tem um lugar especial.
 A carta de bebidas no Lïve é muito simples. No que toca a cocktails temos todos os old school e depois vêem os que são mais diferentes mas não tão diferentes. A verdadeira complexidade e criatividade está nos bastidores e na forma como é apresentado cada cocktail. Optamos por explorar este lado tropical do nosso pais, e basear os nosso drinks em frutas frescas e coloridas que encontramos em abundância por esta Angola tão rica em fauna e flora. Sobretudo por estarmos a beira mar, imaginei uma carta de cocktails que condizesse com a brisa deliciosa que nos refresca. O meu cocktail preferido é o frozen daiquiri de maracujá! Uma iguaria imaginada pelo nosso mixologista, que encontrou o equilibrio perfeito entre o doce e o ácido. No que toca a vinhos e champanhes temos alguns clássicos, alguns mais premium estão fora da carta, mas são maioritariamente vinhos portugueses. No nosso contexto, tendo em conta a narrativa sensorial da carta, os vinhos brancos e os tintos frutados são os de eleição. Mais a frente, pretendemos  dinamizar o espaço e tentar sempre actualizar e inovar os nossos menus para que não caia na mesmice e continue a arrancar suspiros aos nossos clientes sem nunca deixar de surpreender…
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  • Raffaelli Grimaldi

    A casa é simplesmente top no seu todo aos minimos detalhes e, encaixa, enquadra perfeitamente na sua localização. Tiro acertado. O espaço como diz o seu nome, vive! E como vive.